A manipulação de um grampo ilegal

18/03/2016 03h34
Paulo Moreira Leite
Foi Willian Randolph Hearst,
patrono dos impérios da mídia, construídos com audácia e nenhum escrúpulo, cuja
historia inspirou a obra prima Cidadão Kane de Orson Welles, quem descobriu a
importância da mentira para consolidar os próprios lucros e proteger interesses
políticos.
No final do século XIX,
depois que um encouraçado da Marinha dos Estados Unidos sofreu um atentado não
esclarecido no porto de Havana, na então colônia espanhola de Cuba, Hearst
abriu uma campanha nacional para conduzir o país a guerra contra a Espanha, que
ajudou a transformar os EUA num império mundial. Num período  em que a fotografia engatinhava e a TV não
fora inventada, as ilustrações ocupavam um papel essencial no convencimento da
população, que deveria ser mobilizada em manifestações e atos públicos
destinados a pressionar o Congresso e o governo a favor da guerra. Enfrentando
a resistência de um de seus ilustradores para produzir imagens fortes demais,
falsos retratos de um inimigo que pretendia atacar de qualquer maneira, Hearst
cunhou uma frase famosa: “Você fornece as imagens e eu vou fornecer a
guerra.”

No Brasil de 2016, a mídia
grande foi a guerra contra o governo Dilma empregando os métodos de Hearst em
sua versão século XXI para criar uma nova ofensiva contra as instituições que
expressam o funcionamento de uma democracia construída com sacrifícios que não
precisam ser lembrados aqui. Numa nova demonstração de absoluta falta de
escrúpulos democráticos, valeu-se de um grampo ilegal, não autorizado, para
sustentar uma versão absurda. Você sabe qual é: 
de que Dilma Rousseff nomeou Luiz Inácio Lula da Silva, o mais popular
presidente brasileiro, para ocupar a Casa Civil, o ministério mais importante
no Planalto, apenas para permitir que ele ficasse longe das investigações de
Sérgio Moro. Não há uma palavra, uma frase, ao longo de todo o diálogo, que
permita sustentar essa afirmação. Na conversa, Dilma apenas informa Lula que
está lhe enviando o “termo de posse”, documento jurídico que faz
parte da documentação de todo ocupante de um cargo político. E só.

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro