O presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou nesta quinta-feira (13) que a farmacêutica norte-americana fez três ofertas de venda de sua vacina contra Covid-19 ao governo brasileiro em agosto de 2020. À época, Murillo era presidente da empresa no Brasil. 

Em depoimento à CPI da Pandemia, ele apresentou um cronograma detalhado das tratativas entre a Pfizer e o governo federal. 

De acordo com o executivo, após “reuniões iniciais exploratórias” nos meses de maio e junho, em que foi compartilhados o status de desenvolvimento do imunizante, foi apresentado em 16 de julho uma “expressão de interesse” que resumia as condições de compra do imunizante – iguais, segundo ele, para todos os países procurados pela empresa.

“Como consequência, tivemos outras reuniões no mês de agosto, em que aprofundamos alguns detalhes. Em 6 de agosto, ministério manifestou possível interesse em nossa vacina e fornecemos em 14 de agosto nossa primeira oferta, uma oferta vinculante”, disse Murillo.

Ele explicou que a oferta, na verdade, consistia em duas partes; uma com 30 milhões de doses e outra com 70 milhões “e tinha o possível cronograma de entrega durante o final de 2020 e 2021”.

“Em 18 de agosto, voltamos a fazer a oferta por 30 e 70 milhões de doses, mas nessa tínhamos conseguido um quantitativo adicional para o Brasil para o final de 2020”, afirmou. 

Murillo afirmou que dias depois, em 26 de agosto, foi feita uma terceira oferta, também em contratos de 30 e 70 milhões de doses. “Nesta terceira, tínhamos conseguido um pouco mais de quantidade para o primeiro trimestre de 2021.”

Veja o cronograma apresentado pelo executivo da Pfizer à CPI:

Maio e junho de 2020

  • Reuniões iniciais exploratórias para compartilhar status de desenvolvimento da vacina

Julho de 2020

  • 16 de julho
    apresentado uma “expressão de interesse” em que foram resumidas as condições de compra do imunizante

Agosto de 2020

  • 6 de agosto
    Ministério da Saúde manifestou possível interesse na vacina;
  • 14 de agosto
    Pfizer fez a primeira oferta: uma com 30 milhões de doses e outra com 70 milhões, com possível cronograma de entrega durante o final de 2020 e 2021;
  • 18 de agosto
    Pfizer volta a fazer oferta por 30 e 70 milhões de doses, com um quantitativo adicional ao Brasil para o final de 2020;
  • 26 de agosto
    Pfizer fez uma terceira oferta, também em contratos de 30 e 70 milhões de doses – com um pouco mais de quantidade para o primeiro trimestre de 2021

Novembro

  • 11 de novembro
    Atualizada a oferta de 70 milhões. Seriam 2 milhões no primeiro trimestre de 2021, 6,5 milhões no segundo trimestre, 32 milhões no terceiro trimestre e 29,5 milhões no quarto trimestre.
  • 24 de novembro
    Mesma oferta com condições diferentes, com base no registro sanitário aprovado. 

Fevereiro de 2021

  • 15 de fevereiro
    Oferecidas 100 milhões de doses. Seriam 8,7 milhões no segundo trimestre, 32 milhões no terceiro trimestre e 39 milhões no quarto trimestre. 

Março de 2021

  • 8 de março
    Oferta de 100 milhões, com 14 milhões no segundo trimestre e 86 milhões no terceiro trimestre de 2021. Esse foi o contrato assinado com o governo brasileiro.

Abril de 2021

  • 23 de abril
    O segundo contrato por mais 100 milhões de doses, considerando 30 milhões no terceiro trimestre de 2021 e 70 milhões no quarto trimestre de 2021. Tratativas em fase final.

FONTE: Murillo Ferrari, da CNN